Homenagem

Entre o dever e o afeto: a maternidade na vida das Oficialas de Justiça

O Sindojus reconhece a força das oficialas e de tantas outras mulheres que, diariamente, equilibram a balança da atuação profissional com a do afeto. Ser Oficiala de Justiça exige coragem e firmeza, enquanto ser mãe exige entrega e sensibilidade. Feliz Dia das Mães!

Por: Luana Lima 493 visualizações
10/05/2026
Arte: Lennon Cordeiro/Sindojus Ceará

A rotina de uma Oficiala de Justiça é marcada por desafios peculiares: o trabalho nas ruas, a imprevisibilidade das diligências e o peso emocional das ordens judiciais. Conciliar isso com a maternidade exige um “malabarismo” que rende histórias inspiradoras. Sabrina Foligno, lotada na Central de Cumprimento de Mandados Judiciais (Ceman) de Fortaleza, comenta que não é fácil, uma vez que o Oficial de Justiça está sempre muito exposto no exercício da sua atividade.

“É um trabalho no qual a gente vai, mas não sabe o que vai encontrar. A gente tenta conciliar a logística de ser mãe, fazer tarefas, deixar e buscar na escola, estudar para a prova. É difícil, mas a gente ‘se vira nos 30’ e tenta conciliar tudo com muito amor”, destaca. Nos casos de diligências mais complexas, Sabrina comenta que a sensibilidade materna muitas vezes se torna uma ferramenta crucial para a mediação de conflitos. Ela recorda um episódio em que teve de fazer a busca e apreensão de uma criança.

Fotos: Arquivo pessoal

“Era uma menina, ela chorava muito, e era no dia do réveillon – foi no plantão. Ela pediu muito para não ir, então eu conversei com o pai, disse que não fizesse isso, que era uma data festiva e que ficaria marcado na vida da criança, e solicitei que ele esperasse passar a virada de ano para que a gente fizesse a diligência. Conversei com o juiz, ele acatou a minha sugestão e a gente postergou o cumprimento da medida. O pai, felizmente, compreendeu”, relata.

Mesmo com os desafios, Sabrina, que é mãe do Felipe, de 10 anos, ressalta que sempre teve o sonho de ser mãe. O desejo surgiu a partir do exemplo de sua mãe, que sempre foi uma pessoa amorosa e acolhedora, motivando-a a querer viver essa experiência. Neste domingo, ela diz que a família se dividirá entre as comemorações em casa, na casa de sua mãe e na casa de sua sogra. “Vamos ficar com a família, aproveitar. É um momento de a gente relembrar os valores da família”, diz.

“Ser mãe é algo sublime, representa a maior manifestação de amor que existe”, exalta Emanuelle de Oliveira

A maternidade era um sonho antigo da oficiala Emanuelle de Oliveira, lotada na comarca de Solonópole, na região do Sertão Central, o qual foi realizado há um ano e sete meses com a chegada do seu filho Luiz Miguel. “Ser mãe é algo sublime. Para mim, representa a maior manifestação de amor que existe. Criar e educar uma pessoa requererem dedicação e superação, então, para mim, é um desafio maravilhoso”, define.

Fotos: Arquivo pessoal

Depois que se tornou mãe, Emanuelle conta que muita coisa mudou, sobretudo, a sua percepção de mundo. Passou a entender melhor coisas que antes não faziam sentido, passou a valorizar mais o tempo e a estar mais presente, algumas prioridades mudaram e trouxe reflexos também na sua atuação profissional. Ela acrescenta que o instinto materno vem a auxiliando-a a entender melhor certos casos, principalmente aqueles que envolvem crianças e conflitos familiares.

“Ser mãe faz com que o nosso olhar fique mais atento aos detalhes, que antes possivelmente passariam despercebidos. Às vezes, mais do que cumprir uma ordem judicial, é necessário ter sensibilidade para perceber o ambiente, a fragilidade emocional das pessoas envolvidas e até a melhor forma de abordagem para evitar um sofrimento ainda maior. O olhar materno traz prudência, empatia e humanidade, sem afastar a firmeza que o cargo exige”, observa.

Importância da rede de apoio 

Vivenciando a maternidade pela primeira vez, Emanuelle admite que não tem sido fácil encontrar o equilíbrio entre dar conta de criar o filho, fazer-se presente e também ter que se deslocar para o cumprimento das diligências, com as imprevisibilidades de cada caso. “Saber lidar com a carga emocional de certas situações, como, por exemplo, violências, crimes contra crianças e adolescentes e conflitos entre famílias são desafios diários. Graças a Deus, posso contar com meu companheiro e minha rede de apoio, minha mãe e irmã. Eles são fundamentais para que eu consiga conciliar o trabalho e a maternidade”, afirma.

Este será o segundo Dia das Mães da oficiala de Solonópole e as comemorações serão em família. “Vai ser um domingo em que estaremos todos juntos: bisavó, avó, mãe e neto. Uma alegria”, frisa.

Foto: Arquivo pessoal

Mãe duas vezes

O desafio de conciliar as ruas com a criação dos filhos não é novo, atravessa gerações. Francisca Evangelista, oficiala aposentada que por quase quatro décadas (1979 a 2018) atuou na comarca de Parambu, no Sertão dos Inhamuns, recorda o peso emocional de deixar a filha, Madelyne, para cumprir as ordens judiciais. “Era sempre um desafio por saber que estava deixando a minha filha e ter de sair para dar cumprimento às ordens judiciais, mas sempre fiz o meu trabalho com muito zelo e sempre procurei dar o melhor de mim”, ressalta.

Os frutos da sua dedicação ao trabalho permanecem até hoje. Mesmo aposentada há oito anos, Francisca diz que sempre foi respeitada no cumprimento dos mandados e, até hoje, as pessoas a procuram quando querem algum esclarecimento.

Hoje, vivendo a experiência de ser mãe e avó do pequeno Tito, de três meses, ela define a experiência como “amor em dobro”. Desfrutando da aposentadoria, ela aproveita os momentos livres para transmitir à sua filha a experiência adquirida ao longo de toda uma vida de amor e dedicação à maternidade.

“Ser avó é viver o amor em dobro, porque nós nos tornamos mãe duas vezes. Você olha para a filha e sabe que foi você que a gerou, e olha para o neto e sabe que ele foi gerado pela sua filha”, constata. Neste domingo, Francisca conta que a celebração vai ser em família, na companhia das irmãs, filhos, filhas, netos e netas.

Atuação mais humana

O Sindicato dos Oficiais de Justiça do Ceará (Sindojus-CE) reconhece a força dessas e de tantas outras oficialas que, diariamente, equilibram a balança da atuação profissional com a do afeto. Ser Oficiala de Justiça exige coragem e firmeza, enquanto ser mãe exige entrega e sensibilidade. Quando essas duas missões se encontram, o resultado é uma atuação mais humana e um compromisso inabalável com o futuro. A todas as oficialas que transformam o dever em cuidado e a lei em esperança, o nosso mais profundo respeito e admiração.

Feliz Dia das Mães!

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Luana Lima

Jornalista

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