Mês da mulher

Sindojus homenageia Oficialas de Justiça em manhã de reflexão sobre carreira, saúde e luta feminina

As cerca de 60 Oficialas de Justiça presentes parabenizaram o sindicato pela iniciativa, que promoveu muitas trocas e diálogos sobre os direitos da mulher

18/03/2026
Fotos: Luana Lima/Sindojus Ceará

O Sindicato dos Oficiais de Justiça do Ceará (Sindojus-CE) realizou, na última sexta-feira (13), um café da manhã especial em homenagem às Oficialas de Justiça. O evento, alusivo ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, contou com a presença da coordenadora da Procuradoria Especial da Mulher no Senado, Raquel Andrade, representando a senadora Augusta Brito (PT-CE); e do médico ginecologista e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Leonardo Bezerra. As cerca de 60 Oficialas de Justiça presentes parabenizaram o sindicato pela iniciativa, que promoveu muitas trocas e diálogos sobre os direitos e a saúde da mulher.

O presidente do Sindojus, Vagner Venâncio, abriu o evento destacando o papel indispensável das mulheres na efetivação da justiça. Ele acrescentou que a determinação feminina é o que impulsiona a categoria e lamentou o cenário hostil que as mulheres ainda enfrentam. “Vivemos hoje uma misoginia estúpida, com a escalada da violência contra a mulher. É preciso que nós, homens, somemos cada vez mais na luta em defesa das mulheres”, frisou. O presidente passou a condução dos trabalhos à diretora Fernanda Garcia e ressaltou que a dirigente vem desenvolvendo um trabalho reconhecido não só no Ceará, mas em âmbito nacional.

Apontando o quadro reduzido de Oficiais de Justiça, Fernanda Garcia destacou que a sobrecarga é uma dura realidade em todo o Ceará e que a carga maior recai sobre as oficialas, uma vez que a mulher tem o segundo, o terceiro e o quarto turnos. “Além de Oficiala de Justiça levando a justiça para toda a sociedade, muitas são mães, donas de casa, mulheres com dezenas de lutas. Conciliar tudo isso no dia a dia é complicado, mas a gente vem tentando e ocupando cada vez mais os espaços”, disse.

A dirigente observou que a presença feminina na função é historicamente recente – no Ceará, a primeira oficiala ingressou em 1975. “O Judiciário ainda é um poder onde não há uma equidade, basta ver que a gente só tem uma ministra no STF (Supremo Tribunal Federal). No Ceará, nós, Oficialas de Justiça, ocupamos 30% dos cargos. A gente vem crescendo com o intuito de obter um maior equilíbrio”, frisou.

Empatia e saúde mental

Representando a senadora Augusta Brito (PT-CE), a advogada Raquel Andrade, coordenadora da Procuradoria Especial da Mulher no Senado Federal, fez uma reflexão sobre o impacto emocional de quem cumpre mandados envolvendo pessoas em situações de vulnerabilidade, como nos casos de violência doméstica ou estupro. Com a experiência de quem já foi secretária executiva de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Secretaria das Mulheres do Ceará, ela contestou a ideia de que o profissional deve se despir de suas emoções.

“Quem já ouviu que precisamos separar o pessoal do profissional? Isso existe? Na hora que você pega um mandado de estupro de uma menina de 12 anos, você desliga sua humanidade e seus gatilhos? Não, a gente não desliga”, afirmou.

A coordenadora da Procuradoria chamou a atenção para o fato de a carreira de Oficial de Justiça ainda ser “masculinizada”, o que gera uma cobrança desproporcional, e sugeriu um exercício simples. “Quando forem hostilizadas ou ameaçadas, perguntem-se: se fosse um homem aqui, ele seria tratado com deboche, seria ameaçado, agredido do jeito que eu estou sendo? Ele seria descredibilizado como eu estou sendo? Se a resposta for não, o problema é de gênero e precisa ser olhado pelas instituições. O machismo afeta a qualidade do sistema de justiça”, afirmou.

Ela encerrou citando a “ditadura da produtividade”, que rouba o direito ao descanso. “O ócio é historicamente inimigo das mulheres. A gente deita para dormir e a cabeça começa: e o almoço de amanhã, o uniforme do filho, o mandado pendente. O descanso para a mulher parece algo ofensivo, mas é essencial para não adoecermos”, alertou.

Saúde e maturidade: o prazer além dos 60

O médico e professor Leonardo Bezerra levou leveza e ciência às oficialas ao falar sobre o autocuidado. Ele desmistificou tabus sobre a menopausa e a sexualidade na maturidade, afirmando que o bem-estar da mulher aos 60 anos é reflexo de uma vida livre de violências e repressões.

“O que determina o prazer aos 60 anos não é o hormônio, é o relacionamento e o respeito estabelecido. A mulher que odeia sexo nessa idade, muitas vezes, é a mulher que foi maltratada e não conseguia partilhar igualdade”, explicou o especialista. Leonardo ressaltou ainda que a maturidade traz ganhos valiosos, como o aumento da empatia e da sororidade.

Acolhimento e valorização

Entre as oficialas presentes sobraram elogios quanto à iniciativa de realização do evento e enalteceram que se sentiram realizadas, prestigiadas, valorizadas e amadas com esse importante momento de escuta, troca, celebração, união e reencontro.

Everalda Timbó, lotada na comarca de Baturité, falou do orgulho e da felicidade de participar do evento. “A gente precisa realmente dessa integração e dessa união. Todas as falas que foram colocadas tiveram o intuito de nos trazer à reflexão da importância da nossa verdadeira importância no nosso meio de trabalho e no nosso meio social. Nós realmente precisamos ter momentos como esse, de vivenciar isso com outras mulheres. Agradeço ao sindicato pela oportunidade”, ressaltou.

Para Sabrina Foligno, foi um momento e muito aprendizado e enriquecimento. “Momentos como esses são preciosos, porque nós compartilhamos as nossas vivências, os nossos momentos tanto pessoais quanto de trabalho. Fico muito feliz e agradecida, foi um café da manhã maravilhoso, muito divertido, leve, espero que mais momentos como esse sejam realizados”, disse.

Feliz, realizada e prestigiada foram sentimentos exaltados pela oficiala Raphaela Ribeiro, do Maciço de Baturité. “Confesso que estou surpresa por ver tantas oficialas presentes, isso mostra a mobilização da categoria com o intuito de fortalecer realmente, porque é isso que a gente precisa, de nos unir, ter momentos como esse de escuta e de trocas. Eu estou muito feliz, satisfeita e orgulhosa de ser Oficiala de Justiça, neste mês nós estamos comemorando o nosso dia, então é muito gratificante”.

Alessandra Trindade, oficiala de Fortaleza, agradeceu ao Sindojus por mais um evento maravilhoso. “Foi um evento rico, onde encontramos muitas amigas e colegas, demos muitas gargalhadas e nos sentimos mais valorizadas e mais amadas. Toda a minha gratidão ao Sindojus”, expressou.

Ivna de Alencar Fernandes falou da felicidade com esse encontro proporcionado pela entidade, e reforçou a importância desse encontro das mulheres. “Nós estamos no mês das mulheres, no mês dos Oficiais de Justiça, então é muito importante a gente celebrar o fato de sermos mulheres e sermos Oficialas de Justiça. O sindicato está de parabéns por nos ter proporcionado esse momento, nós todas estamos muito felizes”.

Sindicato segue na luta para que as oficialas tenham cada vez mais voz

O evento encerrou-se reforçando o compromisso do Sindojus não apenas em lutar pela conquista de direitos, mas também para garantir que as Oficialas de Justiça tenham cada vez mais voz e suporte para exercerem sua missão com dignidade.

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