Primeira mulher a exercer a carreira de Oficial de Justiça no Ceará é homenageada em evento do TJ
A programação contou com palestra ministrada pela subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, homenagens a mulheres pioneiras e o lançamento do livro “Duas magistradas inspiradoras”
Margarida Brasil, primeira mulher a exercer a carreira de Oficial de Justiça no Ceará e diretora dos Aposentados do Sindicato dos Oficiais de Justiça do Ceará (Sindojus-CE) foi homenageada, na última sexta-feira (13), em evento promovido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), na sede do Judiciário, no bairro Cambeba. A programação contou com a palestra “Conquistas femininas em tempos de crise”, ministrada pela subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge, homenagens a mulheres pioneiras e o lançamento do livro “Duas magistradas inspiradoras”, que resgata a trajetória das desembargadoras Auri Moura Costa e Águeda Passos Rodrigues Martins.
Margarida comenta que a honraria a fez recordar sobre o início de sua carreira, há cinco décadas. Quando assumiu a função, ela conta que a mentalidade era muito diferente e muitos não acreditavam que uma mulher pudesse exercer essa função. “Minha família foi o meu alicerce e disse que eu poderia ser o que quisesse”, disse.
Oficial de Justiça é guiado pela coragem, destaca Margarida
Ela recorda que quando assumiu não havia qualquer tipo de curso ou treinamento. Tomou posse em um dia e imediatamente já foi às ruas para o cumprimento das ordens judiciais. Naquela época, a ausência de tecnologias, como a internet e o celular, tornava o ofício ainda mais solitário e arriscado. “Na hora do perigo, o Oficial de Justiça tinha que se virar sozinho. Hoje, somos aliados da tecnologia, mas naquele tempo era a coragem que nos guiava”, comenta.
Quando assumiu, Margarida relata que frequentemente ouvia que determinadas diligências eram “serviço para homens”. A sua resposta, no entanto, era sempre a mesma: “Nós prestamos o concurso, então vamos cumprir as diligências. Nós temos capacidade e vamos fazer”, destaca. Mesmo em situações de risco, realidade que faz parte do cotidiano do Oficial de Justiça, a diretora do Sindojus assegura que jamais deixou de cumprir uma ordem judicial pelo fato de ser mulher.
No Ceará, as mulheres representam cerca de 30% da categoria
Hoje, ao ver mais mulheres ocupando o cargo de Oficiala de Justiça – apesar do avanço, o índice no Estado ainda é pequeno, em torno de 30% –, Margarida afirma que evita a palavra “orgulho”, mas fala do sentimento de felicidade. “Fico feliz de saber que abri esse caminho. Naquela época para ser oficiala era preciso coragem, determinação e competência. Hoje, vejo as mulheres dando um show, atuando da favela ao asfalto, e sinto que a minha missão foi cumprida”, frisa.

Foto: Ascom TJCE
Margarida Brasil é motivo de orgulho para o Ceará e toda a categoria. A sua presença naquela função até então ocupada exclusivamente por homens representou um marco e abriu caminho para que muitas outras pudessem ingressar na carreira. A diretora dos Aposentados do Sindojus reforça que ser Oficiala de Justiça é motivo de orgulho. Significa estar na linha de frente do Poder Judiciário, mas é também agir com empatia, mediar conflitos com firmeza e sensibilidade, e provar, todos os dias, que preparo, equilíbrio e responsabilidade não têm gênero.
Saiba mais
Nascida em Fortaleza, em 28 de abril de 1948, Margarida Maria Vieira Brasil é bacharelada em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e pós-graduada em Direito Público pela Universidade Christus. Em 1975, tornou-se a primeira mulher a assumir como oficiala de Justiça no Ceará, função que exerceu por 42 anos até a sua aposentadoria, em 2018. Atualmente, é diretora dos Aposentados do Sindojus Ceará.


