Saúde e bem-estar

Neste Dia Mundial do Câncer Sindojus alerta para a importância do diagnóstico precoce

Para falar sobre esse tema tão relevante, a série Sindojus Saúde deste mês entrevistou o oncologista Reginaldo Costa, superintendente Clínico do Hospital Haroldo Juaçaba

04/02/2022

Criado por uma iniciativa global da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Dia Mundial do Câncer tem como objetivo aumentar a conscientização e educação mundial sobre a doença, além de influenciar governos e indivíduos para que se mobilizem pelo controle do câncer evitando, assim, milhões de mortes a cada ano. No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para cada ano do triênio 2020-2022 prevê que ocorrerão 625 mil casos novos de câncer (450 mil, excluindo os casos de câncer de pele não melanoma). O cálculo global corrigido para o sub-registro sugere a ocorrência de 685 mil casos novos.

Para falar sobre esse tema tão relevante, que acomete tantas pessoas no mundo inteiro, a série Sindojus Saúde deste mês entrevistou o médico oncologista Reginaldo Costa, superintendente Clínico do Hospital Haroldo Juaçaba, unidade que integra o Grupo ICC – complexo formado pelo Instituto do Câncer do Ceará (ICC) e outras seis empresas presentes no Ceará, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro. Conforme o especialista, na população acima de 40 anos o câncer já configura como segunda causa de óbitos na população geral, com tendência de crescimento, fenômeno que ocorre no mundo inteiro e que está relacionado com o processo de envelhecimento da população, o que faz com que aumente também os casos de neoplasias.

Tipos mais comuns

Quando se fala em câncer, na verdade se fala de um grande grupo de doenças, porque dentro de cada área existem diversas classificações. Reginaldo Costa informa que são estimados mais de 120 tipos de neoplasias diferentes, sendo as mais comuns na população feminina o câncer de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. Já na população masculina são: próstata, cólon e reto, pulmão e estômago.

Fatores de risco

“O tabagismo está relacionado a pelo menos a metade das neoplasias em adultos. É um fator de risco bem expressivo que impacta diretamente mortalidade e sobrevida dos pacientes”, frisa Reginaldo Costa

Quando se trata dos fatores de risco, o oncologista esclarece que eles podem ser divididos em dois tipos: internos e externos. O histórico familiar, que tem relação com a hereditariedade e os fatores genéticos; e os fatores socioambientais, como hábitos, vícios, exposição à radiação, exposição a alguns produtos químicos. Um fator externo que chama a atenção de forma expressiva e que é muito comum, acrescenta o médico, é o cigarro. Ele alerta que o tabagismo está relacionado a pelo menos a metade das neoplasias em adultos. “É um fator de risco bem expressivo e que impacta diretamente mortalidade e sobrevida dos pacientes”, frisa.

Prevenção

Afinal, tem como prevenir um câncer? Para o superintendente Clínico do Hospital Haroldo Juaçaba é possível, sim. Ele diz que alguns tumores são, inclusive, evitáveis. O de colo do útero, por exemplo, pode facilmente ser diagnosticado com exame papanicolau, que não demanda infraestrutura complexa. “Basta um consultório médico e um profissional habilitado para coletar o exame de prevenção ginecológica”, afirma.

Para que possam ter o diagnóstico em fase precoce, Reginaldo Costa reforça a importância de as pessoas manterem uma rotina de fazer exames de prevenção, pois esse é o principal fator relacionado ao aumento de sobrevida e à cura dos pacientes. Para dar uma ideia da importância do diagnóstico precoce, ele cita que as chances de cura de uma paciente diagnosticada no estágio 1 do câncer de mama são muito próximas de 100%, mas se essa mesma paciente tem diagnóstico no estágio 4, em que a doença não está mais localizada só na mama, as estatísticas falam em menos de 5%. Portanto, o diagnóstico precoce, associado ao tratamento adequado e a uma visão multidisciplinar farão com que a possa alcance melhores resultados em termos de tratamento.

Debate

Somos Iguais e Diferentes: a Importância da Equidade no Controle do Câncer” foi o tema do debate online realizado, na manhã de hoje, pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em alusão ao Dia Mundial do Câncer. O objetivo foi chamar a atenção da população e de autoridades para as desigualdades no acesso à prevenção e ao tratamento da doença. Sobre o assunto, o diretor Clínico do Hospital Haroldo Juaçaba comenta que não é preciso comparar um país com outro. No Brasil, ao comparar as estatísticas de câncer das regiões norte e nordeste com as do sul e sudeste, observa-se uma enorme disparidade.

“Infelizmente, nas regiões norte e nordeste, por ter um número menor de aparelhos de mamografia, de profissionais capacitados e de centros especializados no tratamento de câncer, faz com que, consequentemente, a cobertura de tratamento para esses pacientes fique limitada, então o desfecho desses pacientes também acaba sendo inferior em relação ao paciente das regiões sul e sudeste”, observa. Além de infraestrutura mais adequada, ele acrescenta que o nível de escolaridade nas regiões sul e sudeste são maiores e as pessoas sabem da importância da prevenção. Associado a isso, há também uma maior distribuição dos centros de referência.

Desigualdade regional

Na visão de Reginaldo, essa desigualdade regional faz com que haja resultados assistenciais piores. Um exemplo prático que menciona é o câncer de colo do útero, uma neoplasia comum na região nordeste e pouco frequente nas regiões sul e sudeste. Ele explica que isso acontece, porque nas regiões sul e sudeste as mulheres conseguem fazer de maneira mais fácil exame ginecológico de prevenção, que é fácil, acessível e não envolve altos custos. Contudo, essa mesma realidade não acontece nas regiões norte e nordeste, o que acaba impactando na incidência e mortalidade de câncer do colo e útero, que são maiores nas regiões norte e nordeste.

O gestor reforça que todos os anos o fator prevenção acaba sendo a bola da vez e, particularmente, nos últimos dois anos, por causa da pandemia, com o acesso limitado da população ao sistema de saúde, a prevenção se tornou mais atual do que nunca. “A gente observa que esses dois anos de afastamento das pessoas das unidades de saúde e dos consultórios fizeram com que muitos pacientes acabassem evoluindo ou sendo diagnosticados com doenças em estágio avançado. Existe um grande desafio individual, de cada pessoa buscar assistência médica, e um grande desafio para as autoridades de saúde, que vão ter que correr contra uma estatística que neste momento é muito desfavorável, então a palavra final é prevenção, urgente”, reforça.

Sindojus Saúde

Lançada em janeiro de 2021, a série Sindojus Saúde mensalmente fala sobre uma especialidade médica, relacionando com o bem-estar da categoria dos Oficiais de Justiça. No último mês de janeiro, a entidade abordou a pandemia e os cuidados com a saúde mental e emocional, em alusão ao Janeiro Branco.

Acesse todas as matérias da série Sindojus Saúde – AQUI

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