Manhã especial

Evento do Dia da Mulher promove troca de experiências, sororidade e empoderamento entre Oficialas de Justiça

Foi uma manhã especial, na sede do Sindojus, com a presença da secretária da Juventude do Ceará, Adelita Monteiro, com a construção de um rico espaço de compartilhamento

17/03/2025
Fotos: Daniel Barroso/Sindojus Ceará

Oficialas de Justiça tiveram, no dia 10 de março, uma manhã especial na sede do Sindicato dos Oficiais de Justiça (Sindojus-CE) com a presença da secretária da Juventude do Estado, Adelita Monteiro, que proporcionou uma rica troca de experiências, sororidade e empoderamento. O presidente do sindicato, Vagner Venâncio, falou da honra de ter a gestora na sede da entidade e informou que o evento deverá entrar no calendário anual do sindicato. Agradeceu também a presença as oficialas de Justiça, que mesmo debaixo de forte chuva fizeram questão de prestigiar a palestra. A diretora Fernanda Garcia destacou que o encontro tem como objetivo fortalecer o sentimento de pertencimento em relação ao sindicato. “Esse espaço é nosso e lugar de mulher é onde ela quiser”, frisou.

Mencionando o tema do Dia Internacional da Mulher deste ano definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) Mulher: “Para todas as mulheres e meninas: Direitos. Igualdade. Empoderamento”, Fernanda disse que empoderamento foi a palavra que mais chamou a sua atenção e disse que a intenção é de que as oficialas ocupem cada vez mais aquele espaço.

Falou também dos dois vieses que as oficialas de Justiça vivenciam: de enfrentamento à violência doméstica, a partir do cumprimento de mandados dessa natureza; e, ao mesmo tempo, muitas vezes sendo vítimas desse tipo de violência, e citou o caso emblemático da oficiala Maria Sueli Sobrinho, agredida no Dia Internacional da Mulher enquanto trabalhava. “E se fosse um oficial homem, o agressor teria agido da mesma forma?”, indagou e a resposta foi unânime: não.

Fernanda expressou a felicidade de ver cada vez mais mulheres como oficialas de Justiça e exaltou a presença da Margarida Brasil, diretora dos Aposentados do Sindojus e uma das primeiras mulheres a ocupar a carreira no Ceará.

“Se para nós, de concursos mais recentes, a gente sente dificuldade, imagine como foi para ela ser a pioneira. Desbravar, ser a primeira em algo é muito difícil. Que a gente consiga cada vez mais almejar, crescer e, principalmente, nos apoiar, ter sororidade”, ressaltou.

A dirigente reforçou a importância de as mulheres ocuparem todos os espaços possíveis, sobretudo, os predominantemente masculinos, para servirem de exemplo e inspirarem outras mulheres a chegarem em posições de destaque. “O tempo todo nós estamos sendo julgadas, ou porque a gente se arruma demais ou porque se arruma de menos, ou porque está gorda ou porque está magra, então nada mais importante do que essa união das mulheres”, ressaltou.

Violência sofrida pela oficiala Maria Sueli virou um marco do Dia Internacional da Mulher

Honrada pelo convite, a secretária Adelita Monteiro afirmou que cada oficiala de Justiça representa a luta das mulheres na sociedade. “Vocês ocupam um lugar que não é normalmente tido como um lugar feminino, inclusive, estando sujeitas a passarem pelo absurdo que aconteceu com a Maria Sueli, que foi o grande fato do Dia Internacional da Mulher, quando uma mulher é agredida no exercício da sua profissão por ser mulher”, comentou.

Adelita observou que existe uma postura completamente diferente quando se está falando com um homem e quando se está falando com uma mulher.

“Infelizmente, esse ato de violência virou um marco no Dia Internacional da Mulher, mas que também vai ser uma ferramenta de luta para cada uma de nós, para a gente entender que, apesar dos avanços que aconteceram, ainda há muito a avançar”, pontua.

A secretária falou sobre a importância daquela troca de vivências sincera entre as oficialas de Justiça proporcionada durante o encontro, em que cada uma expos a sua vulnerabilidade. E citou que, no Brasil, a cada 24 horas 8 mulheres são agredidas; e que a cada 6 minutos uma mulher é estuprada. “Mas gente, as roupas que se usam nesse país. As brincadeiras, você não notou? Mas bebeu, o que ela queria? Com certeza essa mulher provocou”, replicou falas masculinas em tom de ironia.

Um ponto central colocado pela palestrante é que 62% das vítimas de estupro são crianças com menos de 13 anos de idade. “O que uma criança pode ter feito? E a gente não está falando da subnotificação, da criança que sofre a violência e não sabe que está passando, porque é uma criança. Os números são alarmantes”, lamentou.

Foto: Daniel Cordeiro/Sindojus Ceará

Os direitos das mulheres estão sob ataque em todo o mundo

Outro movimento alarmante colocado pela gestora, que está ocorrendo em todo o mundo e consta no relatório da ONU, é que os direitos das mulheres estão sob ataque, fato que está ocorrendo em escala mundial.

O padrão de beleza imposto às mulheres foi outro ponto debatido, o que é também uma forma de violência. “Essa insegurança que é colocada na gente o tempo todo é colocada a mil, porque é aquela coisa, sobre a culpabilização das mulheres, até quando a gente leva chifre a culpa é nossa”, pontuou a secretária.

“Na história, cada uma de nós tem pelo menos 15 mil mulheres que vieram antes de nós, eu acredito que a nossa função é honrar a história dessas mulheres, porque a nossa função é honrar a nós mesmas, entendendo que nós somos sujeitas de direitos, direito à igualdade de ser quem a gente quiser. Para ficar em casa quando a gente quiser, a trabalhar fora, a ocupar espaços públicos, a beber sem ter medo de ser violentada, a viver uma vida em plena de liberdade que é o que o nosso direito constitucional deveria nos garantir e isso vai estar nas nossas mãos, então eu quero finalizar agradecendo pelo convite e principalmente pela coragem de cada uma de vocês que está trabalhando e atuando em uma ambiente que, felizmente, não é mais só masculino”, encerrou Adelita Monteiro.

Oficialas exaltam que evento constrói um espaço de compartilhamento e de fortalecimento das mulheres

Entre as oficialas sobraram elogios pela iniciativa de realização do evento. Érica Florêncio enalteceu que foi uma experiência muito positiva. “Construímos um espaço de compartilhamento, de troca de experiências. A palestrante foi extremamente espirituosa, um diálogo leve e divertido onde discutimos várias questões importantes, onde nos fortalecemos, onde pudemos desabafar de fatos que nos incomodam no dia a dia, espero que a gente possa fazer isso em outras oportunidades”, sugeriu.

Prestes a se aposentar, Ielva Stela falou que amou o encontro e a troca com as colegas oficialas, e disse que se identificou muito com a palestrante. “A Adelita é maravilhosa, é aquela pessoa ‘espilicute’, ela disse que era saliente quando era jovem e eu sou assim. Pude rever todo mundo, essa integração foi muito boa, espero que o sindicato faça outros eventos como esse”, propôs.

Foto: Daniel Cordeiro/Sindojus Ceará

Uma das primeiras mulheres a ocupar o cargo de Oficial de Justiça no Ceará, Margaria Brasil recordou os desafios de quando assumiu a profissão. “Nos corredores do fórum diziam: essa menina no primeiro despejo corre. Os advogados olharam assim e diziam: que nada, essa menina cumpriu todas as diligências emanadas do Poder Judiciário sem nenhum medo, com competência e hoje eu me sinto feliz por ver essas mulheres aqui, que estão enfrentando a profissão com muito orgulho e competência”, exaltou.

Ivna Vieira comentou que o debate com a Adelita foi maravilhoso e super agradável. “Ela é uma pessoa maravilhosa, todas as oficialas de Justiça se tornaram fãs da Adelita. A palestra foi muito importante, porque é um tema que precisa ser debatido, que precisa ser discutido. Por mais que a gente saiba que acontece, se não for batido, se não for falado, se não for conversado, cai no esquecimento. Foi muito legal poder encontrar as colegas oficialas de Justiça em um momento de confraternização, de união, para colocar as conversas em dia. Eu espero que o sindicato continue fazendo esses encontros e que mais desses venham”, disse.

Além da troca de experiências com a secretária, Virgínia Gurgel salientou que foi uma conversa deliciosa, em que puderam se emocionar, ouvir e se identificar com os problemas e soluções que foram colocados. “Foi uma manhã muito feliz, com uma café da manhã delicioso, para fechar com chave de ouro o nosso Dia Internacional da Mulher celebrado no Sindojus. Que se repita muitas vezes, porque foi um encontro proveitoso, a gente pôde encontrar as colegas, nos reunir e também nos unir mais enquanto oficialas de Justiça”, elogiou.

Assista ao vídeo e confira como foi o evento:

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Luana Lima

Jornalista

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