Sindojus Saúde

Cardiologista fala sobre a saúde do coração e os principais fatores de risco

O Acidente Vascular Cerebral e o Infarto Agudo do Miocárdio, complicações geradas pela hipertensão, são as doenças mais comuns e com as maiores taxas de mortalidade no Brasil e no mundo

26/05/2021

Neste mês de março, a série “Sindojus Saúde – Prevenção e Cuidados” dá atenção especial às doenças do coração. Para falar sobre o assunto, o cardiologista José Carlos Jucá Pompeu Filho destaca a importância dos hábitos saudáveis e alerta para os fatores de risco que aumentam as chances de uma pessoa desenvolver uma doença cardiovascular. O entrevistado é o chefe do Serviço de Cardiologia do Hospital Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (Hospital de Messejana) e professor de Cardiologia da Universidade de Fortaleza (Unifor).

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), que são complicações geradas pela hipertensão arterial, são as doenças mais comuns e com as maiores taxas de mortalidade no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial em Saúde (OMS), em 2016, as doenças cardiovasculares representaram 31% de todas as mortes em nível global. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, por ano, cerca de 300 mil indivíduos sofrem Infarto Agudo do Miocárdio, ocorrendo óbito em 30% desses casos.

Até a menopausa, o sexo feminino apresenta menos casos das doenças do que o sexo masculino

Em relação à incidência de cardiopatias entre homens e mulheres, o cardiologista expõe que, até a menopausa, o sexo feminino apresenta menos casos das doenças do que o sexo masculino. Fazendo uma comparação com um casal da mesma idade, é como se a mulher fosse dez anos mais jovem do que o homem. Entretanto, após a menopausa, há uma tendência à equalização dessa diferença de idade entre os gêneros.

Rotina saudável

O médico Pompeu Filho ressalta a necessidade de incluir na rotina de trabalho do Oficial de Justiça hábitos mais saudáveis. “Tem que tentar encontrar um tempo para poder fazer atividades físicas periódicas, ter uma dieta balanceada e, dentro do possível, adotar uma programação no emprego que seja menos estressante”, esclarece.

Segundo ele, o estresse induz a produção de corticosteroides internos, ocasionando o aumento da glicemia e da pressão arterial, considerados os verdadeiros fatores de risco das doenças cardiovasculares. “O estresse tem um mecanismo indireto. Ele é importante, porque aumenta a produção endógena do cortisol e o cortisol é que vai levar a piora da glicemia e da hipertensão. O estresse, sem dúvida nenhuma, é um fator de risco”. Para tentar conter o estresse diário, o cardiologista orienta que o Oficial de Justiça fragmente as atividades nos demais dias de trabalho. “Se você vai ter uma tarefa árdua naquele dia, tente diluir ao longo da semana, fazendo algo mais programado e menos estressante”, aconselha.

Sobre a prática de atividades físicas, o médico recomenda que “se o oficial não tiver tempo para se exercitar, algumas dicas básicas é estacionar o carro um pouco distante de onde vai. Aquela caminhada já vale a pena. Se você vai cumprir um mandado em um prédio, suba um pouquinho de escada. Isso já conta como uma atividade física e faz uma diferença quando você soma essas pequenas coisinhas”.

Fatores de risco

Hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, tabagismo e histórico familiar são os principais fatores de risco que podem provocar as doenças do coração

Hipertensão arterial, diabetes, colesterol alto, tabagismo e histórico familiar são os principais fatores de risco que podem provocar as doenças do coração. Para tornar o tema mais compreensível, Pompeu Filho faz uma analogia entre as artérias do corpo humano e os canos de água de um edifício. “Imagina a força que a água exerce na parede desse cano. Se ela for alta ou, mesmo que um pouco alta, mas constantemente alta, a durabilidade desse cano vai ser menor. Se esse cano, por algum motivo, está enferrujando, a durabilidade dele também vai ser menor. Se a água, que passa por dentro dele, carregar com ela uma substância corrosiva, a durabilidade do cano é menor”, explica.

Nessa comparação, o médico fala que a hipertensão é a força que o sangue exerce sobre a parede da artéria; a diabetes é a ferrugem; o colesterol é a substância corrosiva; o cigarro é o fator que causa a rachadura do cano; e o histórico familiar é “o simples fato do cano ser bom ou ruim de fábrica”.

O cardiologista também lembra que há outros fatores de risco que devem ser levados em consideração, como idade e problemas anteriores com a doença. “Você imagina um prédio, que um cano já deu defeito, você tem que, obrigatoriamente, checar como estão os outros canos”. Pompeu Filho cita que a obesidade, por si só, não agride a artéria, mas deve ser observada como um fator de risco indireto, já que, assim como o sedentário, “o obeso tem mais chance de ser diabético, hipertenso e de ter o colesterol mais alto”.

Conforme o entrevistado, esses fatores de risco são para todas as doenças isquêmicas, como o infarto e o AVC isquêmico. “O ruim da doença ser sistêmica é que, quando há uma complicação vascular, você pode ter outra, mas o bom é que o tratamento é o mesmo. Se você cuidar da pressão, cuidar da glicemia, parar de fumar, você vai melhorar o seu estilo de vida”.

População mais jovem

Em relação aos riscos de doenças cardiovasculares na população mais jovem, o médico diz que a prevalência é menor, mas é preciso analisar o histórico da família. “Se o seu pai antes dos 55 anos de idade ou a sua mãe antes dos 65 anos enfartou ou teve AVC, isso aumenta, substancialmente, o seu risco de ter problemas cardiovasculares”, previne.

Pompeu Filho também adverte que o mecanismo das doenças cardiovasculares nos jovens se dá de forma diferente do público de mais idade. No caso da população mais adulta e dos idosos, o acometimento das cardiopatias, geralmente, decorre porque a placa de gordura é rompida e o coágulo oclui a artéria. Já entre os jovens, o mais frequente é acontecer o espasmo da artéria, em que ela fecha de fora para dentro. “Isso ocorre em alguns pacientes que são usuários de drogas, por exemplo, a cocaína dá esse tipo de espasmo, tanto nas artérias do coração como nas do cérebro”. Além disso, ele cita que pode haver as doenças raras, como vasculites e trombofilias, em que o sangue coagula espontaneamente dentro de uma artéria.

Check-up periódico

Para aqueles que não possuem fatores de risco, o ideal é realizar exames uma vez por ano

Para aqueles que não possuem fatores de risco, o ideal é a realização de exames uma vez por ano, dentre eles, os testes básicos de sangue – para aferir as taxas de colesterol, dos triglicerídeos, da glicose -, além do eletrocardiograma e da medição da pressão arterial. Essa verificação anual é uma forma de cuidar e monitorar os principais fatores de risco que podem causar o dano arterial.

O cardiologista aponta que, em regra, a hipertensão é assintomática, por exemplo, ela não se apresenta através de dores de cabeça, como pensam alguns pacientes. “Por isso, é importante a busca ativa nos check-ups para ver como está a pressão arterial, sobretudo nas pessoas obesas e com fatores de risco”. A pressão arterial deve ser aferida quando o paciente está em estado de saúde estável e nas melhores condições – na posição sentada, com as pernas descruzadas e, de preferência, sem antes ter fumado ou bebido café. “Se essa pressão for alta nas melhores condições, você tem que procurar o médico”, avisa o cardiologista.

Pompeu Filho evidencia ainda que é fundamental a realização de um bom exame clínico periódico. “Ter um médico que lhe escute, que escute as suas queixas e os sintomas que você está tendo, é muito mais importante do que qualquer exame”, frisa.

No caso de alguma anormalidade, é indicado fazer exames mais aprofundados como ecocardiograma, doppler de carótidas, cateterismo e cintilografia. Essas avaliações detectam quando a complicação já ocorreu por uma eventual negligência dos fatores de risco ou de algum determinante genético, não impactando na evolução da doença. “Esses exames são importantes, mas, por si, não influenciam na evolução natural aterosclerose. É o controle dos fatores de risco que influencia o ritmo que a doença vai avançar no corpo humano”, salienta.

No caso de o paciente já ter o diagnóstico de alguma cardiopatia, a periocidade deve seguir a orientação do médico que o acompanha.

Sinais de alerta

Os três sintomas mais relevantes das doenças cardiovasculares são a dor no peito, a falta de ar e o desmaio. O entrevistado lembra que a dor no peito é a chamada “dor da angina”, que está localizada por trás do osso esterno (situado na frente do tórax, ao centro do peito, e, juntamente com as costelas, protege o coração e os pulmões), intensa, em aperto e mal definida e que pode irradiar para o braço ou para a mandíbula, acompanhada de náuseas e uma sudorese profusa. Essa dor, geralmente, está associada a algum esforço físico, diferente da dor no momento do infarto, que ocorre em repouso.

Em casos de emergência

Se sentir algum dos sintomas citados, Pompeu Filho incentiva o paciente ir ao hospital com urgência. “Não perca tempo. Se você está com a suspeita de alguma emergência cardiovascular não deve perder tempo ligando para o seu médico. Vá para uma emergência mais próxima e, de lá, você entra em contato para que ele dê as informações”, instrui.

Como viver melhor

Segundo o cardiologista, o melhor remédio para diminuir a glicemia, o colesterol e a hipertensão, com poucos efeitos colaterais e gratuito, é a atividade física. Ele informa que, além desses benefícios, a prática de exercícios contribui para desinflamar as artérias. “Se fosse um remédio, seria perfeito. Seria o elixir da longa vida. Por isso que quem faz atividade física vive mais e, lógico, com uma alimentação saudável”.

Saiba mais

O entrevistado desse mês de março da Campanha Sindojus Saúde é o médico cardiologista José Carlos Jucá Pompeu Filho, chefe do Serviço de Cardiologia do Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (Hospital de Messejana) e professor de Cardiologia da Universidade de Fortaleza (Unifor). Ele atende no Núcleo de Atenção Médica Integrada (Nami) da Unifor. O contato do consultório é (85) 3477.3645 e (85) 981562345

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